MATÉRIA NO O GLOBO EXPÕE FALTA DE MEDICAMENTOS PARA PROTEÇÃO ANIMAL NO RIO


Protetores de animais reclamam de falta de remédio para gatos com esporotricose
Segundo relatos, comprimido que é usado no combate à doença, não está sendo distribuído pela prefeitura desde o fim de 2016

POR DANIELA DE PAULA - 31/03/2017 

RIO - A falta de medicamento para animais com esporotricose, em sua maioria gatos, vem preocupando protetores de animais no município do Rio. A doença, causada pelo fungo Sporothrix schenckii, é transmitida pelos felinos aos humanos e também para cachorros e pode ser fatal para os bichos se não tiver tratamento, que é feito com antifúngico e dura, em média, de 4 a 6 meses. Não é necessário sacrificar o animal. O comprimido itraconazol, que é usado no combate à doença nos animais, não está sendo distribuído pela prefeitura no Instituto de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman, em São Cristóvão, segundo a cuidadora Nataile Bougleux.

A estudante de veterinária, que cuida de 24 felinos com esporotricose resgatados de várias colonias do Rio, afirmou que a última vez que conseguiu pegar o medicamento, na unidade de São Cristóvão, foi em novembro. Ela disse que voltou ao local nesta quarta-feira e não teve sucesso.

— Estive quarta-feira no posto e avisei que peguei medicamento só até o fim do ano passado e que esse ano não teve mais medicação. Lá, uma mulher me informou que foi feita a compra de 100 mil comprimidos, mas que não tinha precisão de quando chegaria. “Pode chegar hoje, pode chegar amanhã, infelizmente não tenho uma previsão para te passar”. Ela me falou dessa forma. Já tinha ligado outro dia e, na ocasião, me disseram que havia chegado fazia uns 15 dias, mas que já havia acabado novamente — afirmou.

Nataile contou que, em novembro — última vez que conseguiu pegar o medicamento na unidade, foi informada por uma veterinária de lá que haveria remédios só até dezembro. Desde então não conseguiu mais nada:

— Tenho comprado através de uma farmácia de São Paulo, que vende num preço mais em conta. Tenho um gasto de quase R$ 1 mil por mês. Bem ou mal, eu ainda estou conseguindo comprar os remédios. Mas tem gente que não tem condições mesmo de pagar e não está conseguindo pegar o medicamento. Com isso, muita gente acaba abandonando os animais. É muito triste.

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Quais são os sintomas

Os gatos apresentam feridas, principalmente no rosto. Mas as lesões podem aparecer nas patas. Os ferimentos são profundos, não cicatrizam, têm pus e se espalham para o restante do corpo. O animal perde apetite, fica apático e pode ter secreção nasal.

Ela ressalta que a esporotricose está mal interpretada e falta informação, inclusive da prefeitura sobre a causa da doença ter disseminado tanto:

— Por exemplo, se um gatinho com esporotricose morre, ele não pode ser enterrado em qualquer lugar, pois o local fica com o fungo. Isso não é divulgado. As pessoas abandonam os animais doentes. Ele é uma vítima, assim como nós. Eles têm que ser tratados. Abandoná-los não resolve o problema, pelo contrário, dissemina ainda mais a doença, assim como outras.

Para a veterinária Andrea Lambert, da ONG Anida (Associação Nacional de Implementação dos Direitos dos Animais), a doença é tratada pela prefeitura como epidemia apenas na teoria, mas não na prática.
— Antes, a gente tinha o Programa de Proteção ao Animais Comunitários. Era fornecido medicamentos para os protetores que cuidavam dessas colonias. Há uns três meses, esses medicamentos não estão mais sendo repassados. Vive faltando medicamento nesses locais. Se é uma epidemia, deveria ter remédios suficientes, mais postos de atendimento, principalmente em áreas mais carentes, onde acontecem mais casos de abandono de animais. Além do controle com medicamentos, tem que ter uma campanha de castração, o que também ajuda a prevenir muitas doenças. São duas falhas, a do medicamento e a da castração — destaca Andrea.
Procurada pelo GLOBO nesta quinta-feira, a assessoria da Vigilância Sanitária disse apenas que os remédios já chegaram.

ENTENDA A ESPOROROTRICOSE

Em humanos, a infecção tem cura, mas pode provocar lesões gravíssimas na pele. Não há vacina ou qualquer medicamento preventivo contra a esporotricose. A transmissão para o homem acontece por meio de arranhões e mordidas do gato.
Os sinais de contaminação em humanos aparecem, na maioria das vezes, em forma de lesões na pele, que começam com um pequeno caroço vermelho e podem evoluir para uma ferida. Geralmente, surgem nos braços, nas pernas e no rosto, formando uma fileira de caroços ou feridas. Nesses casos, donos de animais infectados devem procurar imediatamente o dermatologista.

O diagnóstico nos bichos é feito por um veterinário, por meio de análise clínica. O fungo pode ser encontrado em terra úmida e, para evitar o contágio, as pessoas devem usar luvas ao manusear a terra.
Para prevenir a contaminação do gato, o ideal é manter o animal restrito, em casa ou no quintal, sem acesso à rua, onde ele pode ter contato com felinos infectados. A castração, nesse caso, ajuda bastante, pois castrados, os bichanos saem menos de casa.

Os animais contaminados espirram com frequência e têm feridas, principalmente na cabeça. Mas os machucados podem surgir também nas patas e no rabo. As lesões são profundas, não cicatrizam, têm pus e se espalham para o restante do corpo. O bicho perde apetite, fica apático e pode ter secreção nasal.
AUMENTO DE 400% NO NÚMERO CASOS
Em 2016, a Vigilância Sanitária registrou aumento de 400% no número de animais diagnosticados com esporotricose, em sua maioria gatos. Foram feitos 13.536 atendimentos, 10.283 a mais do que em 2015, quando foram registrado 580 casos em humanos. O registro era de 516 pacientes com a infecção na pele em 2015; e 327 casos em 2014.

As unidades da prefeitura para tratamentos dos animais são o Instituto de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman (Avenida Bartolomeu de Gusmão 1.120, em São Cristóvão); e o Instituto Paulo Dacorso Filho (Largo do Bodegão, 150, em Santa Cruz).

ONDE COMUNICAR OS CASOS DE ESPOROTRICOSE

Casos de esporotricose precisam ser comunicados ao Centro de Controle de Zoonoses do seu município. No Rio, o telefone é (21) 3395-1595. Outro contato pode ser feito com a Vigilância Sanitária do Rio de Janeiro, pelo telefone 1746 ou no site: www.1746.rio.gov.br.
Na luta contra a doença, a Sociedade Brasileira de Dermatologia no Rio de Janeiro (SBDRJ) criou uma campanha online para orientar a população e médicos sobre o processo de notificação aos órgãos públicos. A cartilha está disponível no site da sociedade de dermatologia.

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